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Os perigos da inovação

Lia na Marketeer deste mês um pequeno artigo sobre a EDP e sobre a confiança que transmite às pessoas. Segundo os resultados de um estudo  realizado pela interbrand, Inovação é um dos valores associados à marca.

Enquanto as empresas definem e redefinem a sua visão em torno dos seus valores e princípios, todas as decisões também são feitas atendendo a todos os valores e princípios.

Torna-se, então, complicado para uma empresa, que tenha inovação como valor, liderar os seus colaboradores na direcção certa porque é provável que exista um grande conjunto de paradigmas associados à palavra inovação.

Por isso como vão as empresas liderar os seus colaboradores com uma mensagem ambígua?

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ISO 9001 e a Gestão de Projecto.

Já todos nós percebemos que a actual economia exige que os investimentos sejam feitos com mais cuidado, inteligência e rigor para que se obtenha o retorno esperado e sem surpresas.

As frentes são muitas, mas essencialmente, a maioria das empresas percebe que têm de ser mais “Lean“, eficientes, eficazes e oferecer produtos/serviços com mais qualidade.

Para combater na frente da qualidade as empresas apostam nos sistemas de gestão de qualidade. Pagam fortunas a empresas de consultoria e entidades certificadoras para terem os seus sistemas de gestão de qualidade certificados.

Para a certificação de sistemas de gestão de qualidade, o referencial normativo ISO 9001:2000 (ou a nova versão ISO 9001:2008) é o mais utilizado e reconhecido. O ISO 9001:2000 é parte de um conjunto de referenciais normativos que especifica o sistema de gestão de qualidade. O referencial normativo 9000:2005 define os fundamentos e vocabulário utilizado nos sistemas de qualidade enquanto o ISO 9004:2000 define um conjunto de linhas orientadoras para a melhoria contínua.

O normativo ISO 9001:2001 é uma abordagem à qualidade orientada a processos que se baseia em 8 princípios da gestão de qualidade. Todos os princípios devem ser seguidos, independente se existe ou não um sistema de gestão de qualidade certificado. Os oito princípios da gestão de qualidade, de acordo com o normativo ISO 9001:2000, são:

  • Focalização no cliente,
  • Liderança,
  • Envolvimento das pessoas,
  • Abordagem por processos,
  • Abordagem da gestão como um sistema,
  • Melhoria contínua,
  • Abordagem à tomada de decisão baseada em factos,
  • Relações mutuamente benéficas com fornecedores.

As especificações do sistema de gestão de qualidade do ISO 9001:2000 são implementadas de modo que os produtos ou serviços da empresa cumpram os requisitos de qualidade, i.e. que os produtos/serviços satisfazem as necessidades reais dos seu consumidores.

No entanto, especialmente em empresas de pequena dimensão, parece existir um grande mal entendido sobre a gestão de qualidade e gestão de projecto.

Não é raro ouvir-se falar em ISO 9001:2000 quando se pergunta sobre as metodologias de gestão de projecto que as empresas utilizam. É preocupante, no mínimo.

Enquanto um sistema de gestão de qualidade, como o ISO 9001, é de enorme valor, este, por si só, não é um sistema de gestão de projectos e não garante a qualidade dos resultados do projecto. O que garante a qualidade dos resultados dos projectos não são os processos, metodologias, normativos ou certificações. É a equipa do projecto. Os processos, metodologias e normativos ajudam as equipas de projecto a criar serviços/produtos que satisfazem as necessidades reais dos consumidores, e não ao contrário.

Por isso é importante que se reconheça o valor e os objectivos dos sistemas de gestão de qualidade. O controlo de configurações, gestão de incidentes, rastreabilidade, monitorização e medição, por exemplo, são características de um bom sistema de gestão de qualidade assim como de qualquer sistema de gestão de projectos, mas é necessário reconhecer que um SGQ ISO 9001:2000 é incompleto quando entramos na complexa área da gestão de projectos.

A gestão de qualidade é apenas uma pequena parte da gestão de projecto. E os objectivos de custo e de tempo?

Entre outros importantes aspectos, gerir um projecto é gerir a qualidade, o custo, o tempo, o âmbito, a satisfação do cliente e o risco para atingir os objectivos do projecto.

Existem normativos e metodologias que se encaixam perfeitamente e complementam os SGQ,  colocando as equipas de projecto numa posição privilegiada para conseguir criar produtos e serviços que satisfazem as necessidades não só dos seus clientes, mas também das empresas que aplicam esses normativos em gestão de projecto.

Um dos normativos que complementam os SGQ no âmbito dos projectos é o PMBoK® Guide (Project Management Body of Knowledge). O PMBoK® reúne o conhecimento sobre as melhores práticas na gestão de projecto. O PMBoK®, à semelhança do ISO 9001:2000 é orientado a processos e contém um total de 42 processos (PMBoK Fourth Edition), distribuídos por cinco grupos de processos e nove áreas de conhecimento.

Este grupos de processos e áreas de conhecimento podem aplicar-se a todos os projectos, independentemente da sua dimensão ou indústria. Os grupos de processos seguem a lógica de qualquer projecto: Iniciação, planeamento, execução, monitorização e controlo e fecho do projecto.

As áreas de conhecimento, definidass no PMBoK® como as necessárias para a gestão da maioria dos projectos, são:

  • Gestão de Âmbito do projecto,
  • Gestão de Tempo do projecto,
  • Gestão de Custo do projecto,
  • Gestão de Qualidade do projecto,
  • Gestão de Recursos humanos do projecto,
  • Gestão de Comunicação do projecto,
  • gestão de Risco do projecto,
  • Gestão de Compras do projecto,
  • Gestão de Integração do projecto (enquanto todas as outras oito áreas são lógicas e fáceis de perceber, esta por vezes não. Basicamente a gestão de integração do projecto consiste nos processos necessários para identificar, integrar e coordenar todos os restantes processos dos grupos de processos).

No entanto o PMBoK® não é uma metodologia de gestão de projecto. O PMBoK® define um corpo de conhecimento em gestão de projecto. As empresas têm de ser capazes de aplicar o conhecimento do PMBoK® e definir a própria metodologia de gestão de projecto, de acordo com a realidade da empresa e da indústria.

Enquanto o ISO 9001:2000 define os requisitos necessários de um Sistema de Gestão de Qualidade, a qualidade é apenas um dos aspectos da gestão de projecto. É importante ter o conhecimento sobre normativos e metodologias em gestão de projecto para que o resultado dos projectos estejam de acordo com as expectativas dos clientes e do negócio.

Para aumentar a probabilidade dos projectos gerarem o retorno desejado e sem surpresas, é necessário saber quais os objectivos de cada normativo e, sem esquecer, que os processos, metodologias e normativos ajudam as equipas de projecto a criar serviços/produtos que satisfazem as necessidades reais dos consumidores, e não ao contrário.

Nota. Obrigado miguelferrer por algumas correções.

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Congratulations to myself

It started some time ago and finally I was able to hit a major personal and professional milestone. Yesterday I took one day of vacation to travel 200 km to take a four hours exam to assess my knowledge about Project Management.

It was a stressful experience at some degree. The exam showed up to be more difficult than I imagined. It is a exam prepared psychometrically which mean that it will catch most of them who don’t have a solid Project Management knowledge. You cannot imagine how I felt after seeing that screen showing:

“Congratulations…”

So, congratulations to myself, I am now a PMP.

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Useless Certified Scrum Masters

Are you willing to have a surgery with a surgeon that has taken a two days course in surgery?

Think about that for a moment. If you answer “No” (which I believe you do unless you’re a suicidal crazy person) I’m also sure you will not believe that a Certified Scrum Master (or a bunch of them) will save your projects and your business.

SCRUM is simple. SCRUM is hard. There is no ambiguity here. It is simple but it is hard.

Most of the organizations implementing SCRUM do not bother to find out why the “old” processes haven’t worked and simple jump into SCRUM because it is simple. People tend to judge that simple things are also easy thinks.

I think is a mistake, when you’re the adopting SCRUM framework (or any other agile process/methodology/practice/framework) to jump into it and trashing everything you learned from the past failures. This is a warning of continuing the failure path.

SCRUM, and any other agile methodology or process is not about the process or methodology itself, it is about a change in mindset and organization values and principles. SCRUM will help your organization to change, but will not change it by itself. Do not expect that SCRUM will solve all of your problems but expect it to show you all your problems.

What about the good engineering practices? Will SCRUM save your project if you are constantly building garbage? Probably SCRUM will help you to build garbage more quickly. That’s great if your business is all about building garbage.

I am just starting with this stuff of Agile Software development, so do not take what I have said here too seriously 🙂 . I am sure your certified surgeon, with a two days course, will do a great job to your brains after a surgery to your head.

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A história do homem dos cachorros quentes!

“O homem que vendia cachorros quentes à beira da estrada tinha problemas de audição por isso não ouvia rádio. Tinha problemas de visão e por isso não lia jornais nem via televisão. Mas o homem vendia bons cachorros quentes. Colocava sinais na estrada a indicar a sua barraca. Toda a gente gostava dos cachorros quentes do homem. Com o passar do tempo, ele comprou uma barraca maior, e começou a andar pela região a vender os seus cachorros quentes, que toda a gente adorava e comprava. Melhorou a receita dos seus cachorros quentes e ainda mais pessoas compravam os seus cachorros, porque toda a gente os adorava. Ao seu filho, que acabara a universidade há pouco tempo, o homem pediu para o ajudar no negócio, para vender mais cachorros, porque toda a gente gostava dos seus cachorros e ele não tinha mãos a medir. O seu filho, informado e educado virou-se para o pai e perguntou :”Você não lê os jornais? Não vê televisão? Não ouve rádio? Não sabe que estamos à beira de uma depressão económica, que as pessoas estão a perder os seus empregos, há falta de dinheiro em todo lado? Não sabe que estamos a viver uma recessão?”. O homem acreditou no filho. Afinal, o filho tinha estudado na universidade e estava informado porque via televisão, lia jornais e ouvia rádio. O homem deu ouvidos ao filho e começou por vender a barraca que tinha comprado recentemente. Retirou os sinais da estrada a indicar a barraca de cachorros. Desistiu da nova receita de cachorros, pois tinha ingredientes especiais e mais caros. De um momento para o outro, o negócio dos cachorros entrou em declínio. O homem deixou de vender tantos cachorros, começou a ter falta de dinheiro e teve de encerrar o negócio. O homem, virou-se para o seu filho e disso “Filho, tinhas razão. Estamos mesmo numa depressão. Agora vamos esperar que passe e pode ser que se volte a abrir a barraca dos cachorros quentes um dia.””

Moral da história? O pensamento negativo é contagiante e leva as pessoas a tomar as piores decisões nos momentos mais críticos.

 

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Como seleccionar um projecto? – Payback Period

A decisão de investir em projectos é o resultado de uma análise fundamentada em dados históricos e previsionais que permite avaliar características do retorno do investimento. Investir num projecto sem fazer uma análise de investimento, embora muito comum, aumenta inevitavelmente o risco associado ao projecto.

Além da análise de investimento permitir conhecer como e quando o investimento se materializa em retorno, esta análise permite também solidificar objectivos do projecto.  É diferente realizar um projecto que se propõe gerar 100k € no primeiro ano de produção do que realizar um projecto cujos benefícios nem sequer se conhecem.

Este artigo é o último da série  “Como seleccionar um projecto” e apresenta o indicador Payback Period (Período de Recuperação de Investimento) que descobre o período de tempo necessário para recuperar o investimento total no projecto.

Exemplo: Se investir 500k € ao longo da realização do projecto A, ao final de quanto tempo é que os fluxos de caixa gerados pelo projecto somam os 500k €? Se existir uma alteração nos pressupostos feitos durante a análise, ou outras alterações,  quais os impactos nesse período de tempo?

É importante fazer estas perguntas, não apenas no inicio do projecto mas durante todo o projecto, porque alteração internas ao projecto ou externas (situação económica, mercado, etc) podem afectar o resultado final do projecto, por vezes, até, inviabilizando-o.

Para calcular o período de recuperação de investimento são utilizados os fluxos de caixa de entrada e saída do projecto (inflow e outflow) para calcular o período onde os fluxos de entrada anulam os fluxos de saída.

Para ilustrar o conceito, o gráfico em baixo mostra os fluxos de caixa acumulados e actualizados gerados pelo projecto SE4W (inicialmente apresentado no artigo sobre VAL).  – Os fluxos de caixa acumulados e actualizados do ano n, são calculados através da subtracção dos custos actualizados aos benefícios actualizados e somados aos fluxos de ciaxa acumulados e actualizados do ano n-1, quando n é maior que zero.

A linha a vermelho indica os fluxos de caixa acumulados e actualizados do projecto ao longo dos anos. É fácil, porém, verificar que os fluxos de caixa acumulados e actualizados começam a ser positivos a partir do ano quatro, significando que são necessários quatro anos para recuperar todo o investimento feito no projecto.

Para saber exactamente o Período de Recuperação de Investimento, utiliza-se a seguinte fórmula:

Com os dados do projecto exemplo SE4W:

P = 4, CFp = -6,881 e CFp+1 = 179,396.

O Período de Recuperação de Investimento (Payback Period) para o projecto SE4W é de 4.04 Anos ou 48.44 Meses.

Sempre que possível devem-se analisar os projectos à luz do VAL, TIR, RBC e PRI para aumentar o grau de confiança na realização do projecto.

E assim termino a série de artigos sobre modelos económicos para avaliação de projectos, onde foram introduzidos os indicadores VAL, TIR, RBC e PRI (Payback Period ou Período de Recuperação do Investimento).

É fundamental monitorizar estes estes indicadores ao longo da execução do projecto porque alterações ao projecto podem reduzir, ou aumentar, a viabilidade e benefícios do projecto.

Em projectos mais críticos e estratégicos, esta análise pode incluir outras variáveis, como o EMV (Expected Monetary Value) do riscos identificados e associados ao projecto.

E termino com a última versão do modelo económico em Excel.

Download da Versão 4 do Modelo Económico

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Como seleccionar um projecto? – Rácio Benifício/Custo

Este post pertence à série “Como Seleccionar um projecto“. O objectivo desta série de posts é introduzir alguns conceitos básicos para ajudar a seleccionar projectos.

Todos os projectos são realizados para produzir alguns tipos de benefícios. No entanto, a realização desses benefícios requer a utilização de recursos (Pessoas, Hardware, Software, Serviços, Materiais, etc.). A questão essencial com esta série de posts é avaliar se o valor dos benefícios supera os custos dos recursos utilizados para a realização dos mesmos.

Com o VAL é possível avaliar o valor actual dos benefícios líquidos do projecto no momento da avaliação Com a TIR, numa vertente mais económica, consegue-se avaliar a taxa de rentabilidade dos recursos utilizados na realização do projecto.

Neste post vou introduzir um conceito bastante mais simples de entender, sem grandes fórmulas e magias 🙂

Os rácios são uma forma simples de comparação entre dois valores através da sua divisão. Assim, o rácio Benefício/Custo avalia os Benefícios em relação aos Custos através da divisão dos Benefícios pelos Custos. O resultado  deve ser superior a UM (>1) nos casos onde os benefícios são superiores aos custos e inferiores a UM (<1) nos casos contrários.

Resumindo:

  1. Se o Rácio Benefício/Custo for maior que UM (>1): Os benefícios são superiores ao custos e pode existir um OK para o projecto;
  2. Se o Rácio Benefício/Custo for menor que UM (<1): Os custos são superiores aos benefícios e pode não existir um OK para a realização do projecto à luz deste indicador.
  3. Se o Rácio Benefício/Custo for igual a UM (=1): É indiferente realizar ou não o projecto à luz deste indicador.

Instanciando o Rácio Benefício/Custo ao projecto SE4W, introduzido no post sobre VAL, qual é o Rácio Beneficio/Custo do projecto SE4W?

Faz sentido utilizar os benefícios e custos actualizados, por isso revendo os benefícios e custos actualizados do projecto SE4W:

Benefícios Actualizados: 632k euros

Custos actualizados: 453k euros

Rácio Benefício/Custo: 632k/453k = 1.40

O Rácio Benefício/Custo é superior a 1 e não seria de esperar outro resultado porque os benefícios do projecto SE4W são superior aos custos de realização, neste caso superiores 1.4 vezes.

O resultado deste rácios podem também ser expressos através da seguinte forma:

Rácio Benefício/Custo : 3:2

Este indicador é simples de calcular e de entender. No entanto deve ser sempre utilizado em conjunto com outros indicadores, preferencialmente com o VAL e a TIR.

O modelo económico iniciado com o VAL foi actualizado para incluir este indicador.

No próximo post, o modelo económico ficará completo com o indicador Payback Period (Período de Recuperação do Investimento) que permite analisar o período onde o projecto recupera o investimento e começar a ser rentável.

Download Versão 3 do Modelo Económico

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Como seleccionar um projecto? – Cálculo da TIR

Este post é a continuação deste post, onde introduzi o tema de métodos de selecção de projectos, e deste post, onde introduzi o VAL como indicador de Valor na primeira versão do modelo económico para selecção de projectos. Recomendo a leitura de ambos.

Agora é a vez da TIR (Taxa Interna de Rentabilidade) que é a Taxa de Interesse que resulta num VAL zero ao final de um período.

Se o VAL é dado através da seguinte fórmula:

e o factor de actualização é dado através da seguinte fórmula:

Então o VAL pode ser reescrito como:

e a TIR é i tal que:

O cálculo da TIR é um processo iterativo de aproximações sucessivas e é bastante mais simples utilizar uma aplicação informática para a calcular. O Microsoft Excel utiliza a função IRR(values, guess) para calcular a TIR.

Antes de adicionar a TIR ao modelo, é necessário adicionar a coluna dos Fluxos de Caixa que indica os pagamentos e recebimentos a acontecer num período de tempo. O fluxo de caixa é dado pela seguinte fórmula:

A função IRR do Excel é utilizada sobre os  valores do “Fluxo de Caixa”. (Nota: Os fluxos de caixa não são os fluxos de caixa descontados!)

O modelo actualizado com o TIR:

Segundo o Excel, a TIR é 25%. Isto significa que à luz da TIR, o projecto compensa ser feito porque é superior à Taxa de Interesse assumida para o dinheiro investido no projecto. A rentabilidade extra é de 15% (TIR – Taxa de Interesse).

A TIR apresenta alguns problemas porque assume que os resultados positivos do investimento são reinvestidos a uma taxa igual à TIR. Isto nem sempre é verdade. Para superar esta deficiência da TIR, foi desenvolvida a Taxa Interna de Rentabilidade Modificada que assume o reinvestimento dos fluxos de caixa positivos a uma determinada taxa de reinvestimento. A Taxa Interna de Rentabilidade Modificada é também considerada no modelo, e a função em Excel para o seu cálculo é MIRR(Valores fluxo de caixa; Taxa de interesse, taxa de reinvestimento).

Outro dos problemas com a TIR é que caso os Fluxos de Caixa mudem de sinal mais de uma vez então existem duas TIR. i.e. se o fluxo de caixa for:

Pode-se obter duas TIR, ambas válidas. No entanto caso uma delas for inferior à Taxa de Interesse, a TIR é de valor nulo.

É importante ter em consideração que a TIR deve ser sempre analisada em conjunto com outros indicadores, como o VAL e RCB (Rácio Custo Benefício) que vou introduzir no próximo post.

Fica aqui um recurso sobre a utilização do TIR.

Internal Rate of Return: A Cautionary Tale

Download da Versão 2 do Modelo Económico.

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Como seleccionar um projecto? Cálculo do VAL.

Como prometido no último post, vou começar uma breve análise aos modelos económicos. Enquadram-se na categoria de métodos de análise de benefícios para a selecção de projectos, analisando–os de uma perspectiva económica e financeira.

Os modelos económicos podem incluir vários indicadores económico-financeiros, que permitem avaliar a viabilidade económica dos projectos em análise.

Alguns dos indicadores são:

  • VAL – Valor Actual Liquido
  • TIR – Taxa Interna de Rentabilidade
  • RCB – Rácio de Custo/beneficio
  • Payback Period

Vou neste post apresentar a primeira versão do modelo económico (em Microsoft Excel) com o indicador  VAL e com os Fluxos de Caixa Descontados como consequência.

O que é o VAL?
Em termos simples, indica qual é o valor hoje dos
benefícios futuros do projecto.

Exemplo:

O Projecto SE4TW (Save Energy for the World) ao final de 4 anos custa 500k€ e resultará num sistema que, em 4 anos de operação, permite uma poupança média por ano de 300k em energia. O Sistema começa a operar no ano 2. Qual é o valor do projecto, se analisado numa escala temporal de 6 anos?

Com uma contas de cabeça, se calhar 400K€? Vejamos:

Custos do projecto acumulados ao final de 6 anos: 500k€

Benefícios acumulados ao final de 6 anos: 900k€

900k – 500k = 400k€

No entanto, estarão estas contas correctas? E a taxa de inflação? Qual é custo de oportunidade?

Será que o prémio de risco compensa investir o dinheiro neste projecto, em vez de o investir numa conta a prazo que ofereça baixa rentabilidade mas sem qualquer tipo de risco?

E será que é necessário contrair um empréstimo para fazer face aos custos imputados ao projecto durante os anos de desenvolvimento? Qual é a taxa de juro cobrada pelo banco?

É necessário ajustar os valores pagos e recebidos no futuro para o momento actual e estas são algumas perguntas que resultam nos parâmetros necessários para calcular uma taxa de juro sobre o dinheiro investido, também chamada de taxa de interesse sobre o dinheiro.

Para calcular a taxa de interesse, temos de ter em conta vários factores. Esta é calculada com diferentes métodos dependendo da maturidade da empresa, cultura, dimensão, ambiente económico, etc. Geralmente o valor final agrega o risco, oportunidade de investimentos alternativos, juros de empréstimos, depreciação, etc. O custo médio ponderado do capital (Weighted average cost of capital) pode ser utilizado como taxa de interesse, por exemplo. Este artigo é bastante interessante para uma introdução ao tema.

Com a  taxa de interesse actualizam-se os valores apresentados anteriormente para os valores actualizados. Este processo chama-se cálculo dos fluxos de caixa descontados.

O processo é simples. Tem em conta o taxa de interesse para calcular o valor actual de um valor pago ou recebido no futuro.

Para actualizar os valores pagos/recebidos no futuro utiliza-se um factor de actualização, que é calculado através de:

Este factor de actualização permite saber quanto vale uma unidade monetária no ano n do investimento de acordo com uma taxa de interesse t.

Exemplo: No projecto SE4TW, qual é o custo actualizado para o ano 2, considerando uma taxa de interesse de 10%?

O factor de actualização deve ser considerado para actualizar os benefícios e custos no futuro.

Assim, deve-se calcular os fluxos de caixa descontados da taxa de interesse e após esse descontos, a soma dos benefícios é subtraída à soma dos custos. Assim teremos o Valor Actual Líquido do projecto. A fórmula do VAL tem em conta essa taxa de actualização e pode expressar-se através de:

Considerando o exemplo do projecto SE4TW, assumindo uma taxa de interesse de 10% ao ano, e um prazo de análise de 6 anos, na primeira versão, o modelo económico é parecido com:

Então na realidade dos fluxos de caixa descontados o valor do projecto  é 400k (900k-400k) ou 179K(632k-453k)?

Com os fluxos de caixa descontados, o valor actual do projecto é 179K.

O VAL (Valor Actual Líquido ) permite quantificar quanto o retorno futuro de um investimento vale hoje, tendo em conta factores como inflação, custo de oportunidade, risco, juros de dívidas contraídas para suportar o empréstimo, entre outros.

No próximo post, vou avançar para o indicador TIR (Taxa Interna de Rentabilidade) ou IRR (Internal Rate of Return) e actualizar este modelo económico.

Download Versão 1 do Modelo Económico

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